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Professor Doutor Amadeu Rodrigues Torres (Castro Gil)
2012-05-03 09:51:00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

Professor Doutor

AMADEU RODRIGUES TORRES

  (Castro Gil)

 

 

 

 

 

Um vulto universal da ciência e da linguística que desaparece!

 

 

 

 

Nenhum outro saber mais perfeito pode advir ao homem, mesmo ao mais estudioso, do que descobrir-se sumamente douto na sua ignorância, que lhe é própria, e será tanto mais douto quanto mais ignorante se souber”.

 

Nicolau de Cusa (In Douta Ignorância)

 

 

Quando em 2004, manifestávamos publicamente, num dos jornais da região, através de um “Retrato de Memória”, o nosso sentimento profundo de familiaridade para com Amadeu Rodrigues Torres (Castro Gil) – professor catedrático das Universidades do Minho e Católica, poeta em vernáculo e em latim, escritor e linguista –, por mais palavras que na altura ousássemos pronunciar ou adjectivar, jamais conseguiríamos manifestar o verdadeiro sentido e dimensão da nossa gratidão ao amigo/irmão – dada a proximidade e enlevo da amizade – Amadeu Rodrigues Torres. Considerá-lo-íamos (e continuamos a considerá-lo) mais um daqueles em que a sua sabedoria era proporcional à sua humildade e humanismo, qualidades que, infelizmente, vão rareando em muitos dos auto-proclamados catedráticos sem cátedra, do nosso burgo, literalmente esguios ao princípio da “douta ignorância”. Para os mais incautos, e para que a memória colectiva não nos atraiçoe, aqui fica um pouco do percurso vivencial deste vulto da nossa região, espacialmente universal e eterno. Só morrem os que são esquecidos!...

Amadeu Rodrigues Torres, de seu nome completo, filho de João Fernandes Torres e de Maria Rodrigues Torres, nasceu na freguesia de Vila de Punhe, Viana do Castelo, a 25 de Novembro de 1924. Ingressando nos Seminários arquidiocesanos de Braga, concluiu o Curso de Humanidades, antigo oitavo ano, com 20 valores em Português-Literatura, Latim e Grego, tendo obtido do júri, nos actos, autorização para fazer em Grego o exame da cadeira respectiva; o curso de Ciências com 18 valores, assim como o trienal de Filosofia; quatro anos após, terminou o quadriénio de Teologia com a classificação de 19, recebendo a ordem de presbítero em 1957. Foi ordenado sacerdote, no Paço Arquiepiscopal de Braga, em 2 de Junho de 1957 e cantou Missa Nova, em Vila de Punhe, a 16 de Junho desse mesmo ano, dia em que sua irmã Eva Rodrigues Torres contraía matrimónio com Alfredo Pereira de Amorim.

Nomeado para a Secretaria Arquiepiscopal, aí trabalhou até 1961, matriculando-se, entretanto, por sugestão do Conselho de Professores e de D. António Bento Martins Júnior, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Filologia Clássica, cujo primeiro ano e parte do seguinte alcançou com boas classificações. Havendo durante um triénio consecutivo mantido a matrícula sem lograr tempo disponível para dignamente se apresentar a qualquer exame, porquanto lhe interessava sobremaneira saber e cultivar-se e não vencer cadeiras foi constrangido pela legislação em vigor a mudar, pelo menos durante um ano aproveitado, para a Universidade de Lisboa, onde, sem desdouro para os caros Mestres de Coimbra, se sentiu muito bem, de tal modo que decidiu não retornar para o efeito à cidade do Mondego. Não faltou à sua volta quem atribuísse esta mudança a diminuto êxito académico, o que felizmente não correspondia à verdade, dado que, logo no primeiro ano coimbrão e em regime de voluntariado absoluto, se atingia, por exemplo, o 18 em Latim (17 de média) e o 17 em Literatura (com média igual).                   

Assoberbado, porém, com docência nos Seminários e em Colégios, interrompe em breve o Curso de Filologia Clássica, que exigia então, por ocasião dos exames de frequência, repetidas deslocações; e matricula-se, entretanto, na Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica, a qual, instalada ao pé, possibilitava a assistência às aulas sem prejuízo da docência, trabalho que lhe era absolutamente necessário para prover à sua subsistência e à dos seus. É que equivalentemente e sem alternativa impunha-se-lhe nessa altura, por ser órfão de pai desde os 16 anos e o mais velho de cinco irmãos numa família de parcos recursos, o cuidado e orientação da família.

Levados pela causa e efeito do entusiasmo com que falamos do Professor Doutor Amadeu Rodrigues Torres, esperando que nos perdoem pelo facto, vamos interromper o relato da sua riquíssima vida, dado que já nos estávamos a perder na minuciosidade. Voltando à mais curta das sínteses podemos dizer que o bom amigo/irmão Amadeu Torres era Doutor em Letras (Filologia Clássica) pela Universidade de Lisboa, aprovado com Distinção e Louvor por unanimidade; agregação em Linguística pela Universidade Católica Portuguesa, com aprovação por unanimidade; Curso superior eclesiástico de Filosofia e Humanidades (3 anos), concluído respectivamente com 18 e 20 valores, e de Teologia (4 anos), com 19 valores; Licenciatura em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, de Braga, da UCP, concluído com 18 valores; e possuía diversos cursos complementares onde se destacam, em 1970 e 1972, o de Pedagogia, Gramática e Linguística, e o de Língua e Literatura Francesa respectivamente, nos cursos de verão da Sorbonne e do Instituto Católico de Paris; em 1975 e 1976, os de Linguística e Computador, e Linguística e Informática, no CETEDOC da Universidade de Lovaina; em 1977, o de Estatística Linguística, na Universidade de Estrasburgo; em 1986, o de Linguística e Gramática, na Universidade de Lille III; em 1989, o de introdução à Micro-Informática, na Universidade do Minho e, em 1991/1992, o de Língua e Cultura Japonesas e o de Língua e Cultura Chinesas, na Universidade do Minho, de interesse especial para a Sintaxe e Semântica das línguas do ocidente europeu.

Apesar de ser Professor Catedrático jubilado, Amadeu Torres (Castro Gil) continuou a ser chamado para ser membro de júri de mestrados e doutoramentos, presidindo a muitos deles (em Portugal e no estrangeiro); tendo participado em inúmeros congressos e colóquios internacionais, presidindo, em Janeiro de 2003, ao Congresso Internacional sobre Damião de Góis (do qual era um dos maiores especialistas) depois de, no ano anterior (2002) ter sido Comissário Científico da Exposição comemorativa dos 500 Anos do Nascimento deste ilustre humanista; é autor – segundo o seu Elenco Bibliográfico Geral, meticulosamente organizado por Jorge Coutinho e apresentado por Miguel Gonçalves – de mais de seis centenas de títulos (sem se enumerar individualmente cerca de centena e meia de recensões críticas), tendo publicado o seu primeiro brado “O meu caminho é este”, em 1948, feito esse que o levou a ser homenageado por várias instituições vianenses, em 1998, sobre a égide do 50º Aniversário da sua Actividade Literária, sendo galardoado, ao mesmo tempo, pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, como Cidadão de Mérito. Como homem da Igreja, era Cónego do Cabido da Sé de Braga, tendo sido nomeado pelo Arcebispo Primaz D. Eurico Dias Nogueira, em 1987.

O reconhecimento à figura e à dimensão intelectual do Professor Doutor Amadeu Torres, vinha de todos os lados. Para além de ter sido fundador da Academia Portuguesa de Linguística, foi membro das seguintes agremiações: Société de Linguistique Romane, Société de Linguistique de Paris, Centre de Linguistique de Louvain, Görres-Gesellschaft (Munique), International Society for the History of Rhetoric (Zurique), The Renaissance Society of América (Nova Iorque), The Sixteenth Century Studies Conference (Missouri), Sociedade de Língua Portuguesa, Sociedade Portuguesa de Ex-Libris, Sociedade Científica da UCP, Associação Portuguesa de Estudos Clássicos (Coimbra), Associação Portuguesa de Escritores, União Latina e Associação Internacional de Terminologia – Infoterm (Paris), International Association for Neo-Latin Studies (Lovaina), Associação Internacional de Camonistas, Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, Associação Internacional de Lusitanistas, Association Guillaume Budé (Paris), Société Internationale de Linguistique Fonctionelle (Paris), Associação Luso-Galega de Escritores e Linguistas – Irmandade da Fala (Pontevedra/Braga), Associação Cultural Autores de Braga, Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Alto Minho (Viana do Castelo), Sócio de Mérito da Academia Portuguesa de História e do Centro de Estudos Regionais (Viana do Castelo), do qual foi também elevado a Sócio de Mérito, Academia Latinitati Fovendae (Roma), Conselho Cultural da Universidade do Minho, Sócio Honorário da CALIDUM – Clube de Autores Minho-Galaicos, Sócio Correspondente da Academia Norteamericana de La Lengua Española (Nova Iorque) e da Academia Brasileira de Filologia (Rio de Janeiro), da qual recebeu, em 2010, o Diploma de Mérito Cultural.

Os trabalhos e mérito intelectual do Professor Doutor Amadeu Torres (Castro Gil) mereceram-lhe diversas homenagens e granjearam-lhe vários prémios e outros títulos de reconhecimento. Além do Prémio Nacional de Poesia, com direito ao título de Príncipe dos Poetas (1948), foram-lhe atribuídos: o Prémio Laranjo Coelho, da Academia das Ciências de Lisboa, pela sua tese de doutoramento (1984); Prémio Calouste Gulbenkian, da Academia Portuguesa da História, pela edição fac-similada, introdução crítica e comentário da Gramática Filosófica de Bernardo de Lima e Melo Bacelar (1996); Diploma de Cidadão de Mérito da Cidade de Viana do Castelo (1997); Prémio Troféu Falcão do Minho – Símbolo de Qualidade e Dinamismo, nos cinquenta anos de vida literária (1998); Diploma e Medalha de Ouro da Cidade de Braga (2000), ano em que compôs a letra do Hino desta urbe bimilenar; Galardão «Ciências e Educação», Braga (2001), na 4.ª edição de Galardões «A Nossa Terra», da Direnor; Cidadão de Mérito da Vila de Alenquer (2005), pelos seus múltiplos trabalhos sobre Damião de Góis, dali natural; Galardão «Personalidade», Braga (2006), na 9.ª edição dos ditos Galardões.

Como já o referimos, para além de ter sido homenageado na sua terra natal, em 1998, por ocasião dos cinquenta anos de vida literária, em sessão presidida pelo Reitor da Universidade do Minho, Professor Chainho Pereira, em representação do Ministro da Educação, Professor Marçal Grilo, decorreu, também, entre 20 e 22 de Abril de 2005, o Colóquio Internacional em sua homenagem, subordinado à temática «Gramática e Humanismo», do qual resultaram dois grossos volumes, promovido pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, com a colaboração da Faculdade de Teologia (núcleo de Braga), do qual nos orgulhamos em termos feito parte da sua comissão de honra.

Amadeu Rodrigues Torres (Castro Gil) desencarnou – preferimos à conjugação verbal da morte – na calçada multiforme e bimilenar da Bracara Augusta, na madrugada de 9 de Fevereiro de 2012. Foi encontrado prostrado à entrada da Faculdade de Teologia, na porta de acesso pelo parque de estacionamento. Nas cerimónias fúnebres, realizadas na Sé Catedral de Braga, na manhã do dia 11 (10 horas), o Arcebispo D. Jorge Ortiga agradeceu a Amadeu Torres «o legado cristão, linguístico e poético, deixado ao serviço da Igreja, da Cultura e do Homem». O seu corpo foi a sepultar em jazigo de família, em Vila de Punhe, na tarde do dia 11 de Fevereiro (Sábado).

Espiritualmente, Amadeu Rodrigues Torres (Castro Gil) continuará entre nós!...

 

Porfírio Pereira da Silva 

 

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